A máquina recebe graxa e mesmo assim quebra? Os erros de lubrificação que podem estar passando despercebidos

A máquina está no plano de manutenção.

A equipe aplica graxa regularmente.

A graxeira está instalada.

Mesmo assim, algum tempo depois aparecem ruídos, aquecimento, desgaste e até falhas prematuras em componentes.

A primeira reação costuma ser:

“Mas essa máquina não estava sendo lubrificada?”

Estava.

E aí está um dos pontos mais interessantes da manutenção industrial:

lubrificar não significa simplesmente colocar graxa.

Existe uma diferença enorme entre aplicar lubrificante e fazer com que o lubrificante correto chegue ao local correto, na quantidade adequada e nas condições adequadas.

Quando algum desses fatores falha, uma máquina pode aparentemente estar recebendo manutenção e, mesmo assim, continuar trabalhando em condições desfavoráveis.

É justamente nesse sistema que entra um componente pequeno e muitas vezes ignorado: a graxeira.


A graxeira parece simples. Mas sua função é muito importante

Uma graxeira funciona como um ponto de acesso para lubrificação.

É através dela que a graxa pode ser introduzida em determinados componentes e mecanismos sem a necessidade de desmontar completamente o conjunto a cada intervenção.

No catálogo AutoInd, as graxeiras são apresentadas como pontos de lubrificação utilizados em peças, equipamentos e maquinários, com modelos reto, 45° e 90° conforme DIN 71412.

Pode parecer apenas uma pequena conexão metálica.

Mas pense no que ela representa:

ela é a porta de entrada do lubrificante para dentro do equipamento.

Se essa porta estiver danificada, bloqueada, mal posicionada ou difícil de acessar, todo o processo de lubrificação pode ser prejudicado.


“Tem graxa ali” não significa que a lubrificação está correta

Esse é um erro de interpretação comum.

Encontrar graxa ao redor de um componente não prova que o lubrificante chegou corretamente às superfícies que realmente precisam dele.

Pode existir graxa:

  • Ao redor da graxeira;
  • Na parte externa do equipamento;
  • Escorrendo pela estrutura;
  • Acumulada em um ponto;
  • Saindo por uma vedação.

E ainda assim determinadas superfícies internas podem não estar recebendo lubrificação adequada.

Por isso, avaliar a lubrificação apenas olhando a quantidade de graxa visível externamente pode ser enganoso.


Para onde a graxa deveria ir?

A resposta depende do equipamento.

Em geral, a lubrificação existe para formar uma película entre superfícies que possuem movimento relativo.

Essa película ajuda a reduzir o contato direto entre materiais.

Quando essa separação não acontece adequadamente, o atrito pode aumentar.

Com isso podem surgir:

aquecimento → desgaste → aumento de folga → vibração → redução da vida útil.

Por isso, o objetivo da graxa não é simplesmente “encher um espaço”.

É chegar ao ponto onde sua presença é necessária para o funcionamento adequado do conjunto.


O primeiro problema: a graxeira está entupida

Imagine que a manutenção chega ao equipamento, conecta o aplicador e encontra uma resistência muito grande.

A solução improvisada?

Aplicar ainda mais força.

Isso pode ser um erro.

Uma graxeira ou passagem de lubrificação pode apresentar obstruções causadas por sujeira, lubrificante envelhecido ou outros contaminantes.

Se a passagem estiver bloqueada, aumentar indefinidamente a pressão não significa que a graxa chegará ao destino correto.

Pode haver um problema no caminho.

Por isso, uma dificuldade incomum durante a aplicação merece investigação.


O equipamento pode estar sendo “lubrificado no papel”

Esse é um problema interessante de gestão de manutenção.

Imagine uma ficha dizendo:

Lubrificação realizada: ✓

Para o sistema de controle, aquela atividade foi concluída.

Mas o técnico encontrou uma graxeira praticamente inacessível.

Conectou rapidamente o aplicador.

Parte da graxa escapou.

A passagem estava parcialmente obstruída.

Mesmo assim, o procedimento foi registrado como concluído.

No papel, a máquina foi lubrificada.

Mecanicamente, talvez não.

Por isso, uma boa manutenção não deve medir apenas se a atividade foi realizada.

Também deve observar se ela produziu o resultado esperado.


Graxeira reta, 45° ou 90°: por que existem diferentes formatos?

Essa variedade não existe apenas por estética.

Máquinas podem possuir espaços extremamente diferentes.

Em alguns pontos existe acesso direto.

Em outros, a estrutura impede que a ferramenta seja posi

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